Selic, CDI e IPCA: o que são e por que importam para você

Atualizado em 18 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

Entenda o que são a taxa Selic, o CDI e o IPCA, como se relacionam e de que forma afetam juros de empréstimos, investimentos e dívidas em atraso.

Notícias sobre juros falam o tempo todo em Selic, CDI e IPCA. São três siglas com papéis diferentes: uma é o preço básico do dinheiro, outra é a referência dos investimentos e a terceira mede a inflação. Entendê-las ajuda a ler propostas de crédito e de investimento. As informações deste guia são as do Brasil.

Selic

A taxa Selic (abre em uma nova aba) é a taxa básica de juros da economia brasileira. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, define a meta da Selic em reuniões ao longo do ano. A Selic efetiva é a taxa média das operações de um dia entre instituições financeiras com títulos públicos, e acompanha de perto a meta.

A Selic influencia as outras taxas da economia. Quando ela sobe, o crédito tende a ficar mais caro e a renda fixa passa a render mais. Quando cai, acontece o contrário.

CDI

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa dos empréstimos de um dia entre bancos. Como esses empréstimos competem com os que usam títulos públicos, o CDI fica muito próximo da Selic, em geral um pouco abaixo da meta. É divulgado como taxa diária e costuma ser expresso ao ano, na base de 252 dias úteis.

O CDI é a referência dos investimentos pós-fixados. Um CDB que "rende 100% do CDI" paga aproximadamente a taxa do CDI; um que rende 110% paga uma taxa 10% maior.

IPCA

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, é a medida oficial da inflação no Brasil: mostra quanto os preços ao consumidor variaram em um período. É a base da meta de inflação e a referência para reajustar contratos e títulos.

Juros reais: o que sobra depois da inflação

Um rendimento de 12% ao ano não significa que o seu dinheiro cresceu 12% em poder de compra, porque os preços também subiram. A taxa real desconta a inflação: juro real = (1 + taxa nominal) ÷ (1 + inflação) − 1.

Com valores hipotéticos, um investimento que rende 12% ao ano em um período em que o IPCA foi de 4% rende, em termos reais, (1,12 ÷ 1,04) − 1 = 7,69% ao ano. É o aumento do poder de compra, e não o número do extrato.

Onde esses índices aparecem

  • Em empréstimos e financiamentos, a taxa pode ser prefixada, fixa desde o início, ou pós-fixada, ligada a um índice como o CDI, o IPCA ou a TR (Taxa Referencial, usada em financiamentos imobiliários e na poupança). Na pós-fixada, a parcela pode mudar com o índice.
  • Em investimentos, o rendimento pode ser prefixado (uma taxa fixa), pós-fixado (um percentual do CDI) ou híbrido (o IPCA mais uma taxa fixa). Para comparar produtos de tipos diferentes, o que vale é o rendimento líquido, como mostra o guia sobre quitar a dívida ou investir.
  • Em dívidas em atraso, a correção monetária costuma seguir o IPCA e, quando o contrato não prevê juros de mora, a taxa legal é a Selic descontado o IPCA. Veja o guia sobre multa e juros de atraso.

Como o Finasst usa os índices

O Finasst atualiza todos os dias a Selic, o CDI, o IPCA e a TR a partir de séries do Banco Central. Na tela de investimentos, você escolhe se a oferta rende uma taxa fixa, um percentual de um índice ou um índice mais juros, e a projeção usa a cotação mais recente registrada do índice escolhido.

Lembre que os índices variam. A projeção supõe que o último valor se mantém durante todo o prazo, então use-a para comparar ofertas entre si, e não como previsão do que vai acontecer. Para entender como as taxas mensais e anuais se convertem, veja o guia sobre taxa nominal e taxa efetiva.

Este guia é educativo e informativo. Não é consultoria financeira, jurídica nem de investimento e não conhece a sua situação. Os valores dos exemplos são ilustrativos, e as regras mudam: confira as vigentes antes de decidir. Aviso Legal