Avalanche ou bola de neve: em qual dívida pagar primeiro

Atualizado em 2 de novembro de 2026 · 7 min de leitura

Compare as duas estratégias para pagar várias dívidas, veja o que cada uma custa em juros e por que o mínimo do cartão pode não bastar para a dívida acabar.

Com uma dívida só, a pergunta é quanto pagar a mais. Com várias, aparece outra: se sobra dinheiro este mês, ele vai para qual delas? Duas regras simples respondem, e têm nome: a avalanche paga primeiro a dívida de maior taxa, e a bola de neve paga primeiro a de menor saldo. Os exemplos usam reais e juros compostos.

O mínimo, a sobra e o que uma dívida quitada deixa

Toda dívida pede um valor por mês: a parcela do financiamento, o mínimo do cartão. Esse valor você paga de qualquer jeito, em todas as dívidas. A sobra é o que vem depois: o extra que você consegue somar, mais o que cada dívida quitada deixa de levar. É só sobre a sobra que as estratégias decidem.

Quando uma dívida acaba, o valor que ela pedia por mês não some do orçamento: passa para a próxima. É por isso que um plano acelera ao longo do caminho, e é o que dá o nome de bola de neve a uma das estratégias. Sem passar esse valor adiante, quitar uma dívida só deixaria dinheiro parado.

Avalanche: a maior taxa primeiro

Pela avalanche, a sobra vai para a dívida de maior taxa de juros, não importa o tamanho dela. A razão é aritmética: cada real que sai de uma dívida de 12% ao mês evita mais juros do que um real que sai de uma de 1,5%. Quando a de maior taxa acaba, a sobra passa para a seguinte. Com o mesmo orçamento mensal, é em regra o jeito que paga menos juros.

A taxa que importa é a efetiva ao mês, com tudo contado: comparar uma taxa nominal de um contrato com a efetiva de outro leva a pagar na ordem errada. A página de conferência de contrato mostra a taxa que um contrato cobra de verdade a partir do que ele mostra.

Bola de neve: o menor saldo primeiro

Pela bola de neve, a sobra vai para a menor dívida, qualquer que seja a taxa. Ela fecha contas mais cedo: cada dívida quitada é uma conta a menos e um valor que passa para a próxima. Isso pode custar mais juros, porque a dívida cara continua crescendo enquanto as pequenas são pagas. O que a bola de neve dá em troca não aparece na conta de juros: são conquistas mais cedo, que para algumas pessoas ajudam a manter o plano. A conta não mede isso, e a página não diz qual escolher.

Um exemplo com três dívidas

Um cartão rotativo de R$ 6.000,00 a 12% ao mês, com mínimo de R$ 900,00; um empréstimo de R$ 2.000,00 a 1,5% ao mês, com parcela de R$ 250,00; e um financiamento de carro de R$ 15.000,00 a 2,5% ao mês, com parcela de R$ 838,69. As parcelas pedem R$ 1.988,69 por mês, e há R$ 500,00 a mais, o que dá R$ 2.488,69 todo mês.

Jeito de pagarLivre emJuros no totalOrdem em que as dívidas acabam
Só as parcelas24 mesesR$ 12.065,28Empréstimo (mês 9), cartão (15), carro (24)
Avalanche12 mesesR$ 6.255,08Cartão (mês 7), empréstimo (9), carro (12)
Bola de neve13 mesesR$ 7.168,45Empréstimo (mês 3), cartão (8), carro (13)

A avalanche paga R$ 913,37 a menos de juros que a bola de neve e termina um mês antes. A razão está no primeiro mês: o cartão gera R$ 720,00 dos R$ 1.125,00 de juros, e tirá-lo do caminho cedo corta a maior fonte deles. Contra pagar só as parcelas, a economia é de R$ 5.810,20 de juros e de 12 meses. A bola de neve, por sua vez, livra a primeira dívida no mês 3, e a avalanche, no mês 7.

O que o extra muda

Mesmo sem nenhum extra, passar adiante o que cada dívida quitada levava já encurta o plano. Quanto mais extra, mais cedo ele acaba:

Extra por mêsAvalancheBola de neve
R$ 0,0018 meses, R$ 10.916,2718 meses, R$ 10.916,27
R$ 500,0012 meses, R$ 6.255,0813 meses, R$ 7.168,45
R$ 1.500,008 meses, R$ 3.797,488 meses, R$ 4.403,08

Sem extra, as duas estratégias empatam neste exemplo, e o plano ainda economiza R$ 1.149,01 de juros em relação às parcelas sozinhas, que levam 24 meses. Com R$ 1.500,00 a mais as duas terminam em 8 meses, e a diferença em juros, de R$ 605,60, é o que a ordem ainda decide.

Quando o mínimo não cobre os juros

O mínimo do cartão costuma ser menor que os juros do mês. No exemplo, os juros do cartão são de R$ 720,00 no primeiro mês: com um mínimo de R$ 600,00, a dívida passaria de R$ 6.000,00 para R$ 6.120,00 depois do primeiro pagamento. Pagar só o mínimo não reduz a dívida: ela cresce, e a conta mostra que, sozinha, nunca termina.

Com R$ 500,00 a mais, o plano termina em 15 meses pelos dois jeitos, mas a avalanche paga R$ 8.249,65 de juros, e a bola de neve, R$ 9.559,65: a ordem importa R$ 1.310,00. Quando há uma dívida que cresce, deixá-la para depois é deixar crescer a mais cara. A lei limita o que o rotativo pode cobrar no total, mas o limite ainda permite um custo muito alto, e o plano usa a taxa que você informa, sem aplicar esse teto. O guia sobre quitar a dívida ou investir mostra como comparar o que uma dívida cara custa com o que o dinheiro renderia.

O que a conta não vê

Um plano de pagamento deixa de fora o que não está nos números que você digita. Antes de decidir, pese também:

  • Encargos mensais. Seguro e tarifas dentro da parcela não entram como dívida à parte: o plano trabalha com a parcela como você a informa.
  • Taxas que mudam. O plano supõe a mesma taxa até o fim. Juros variáveis e promoções do cartão fogem disso.
  • Desconto por quitar antes. Um contrato pode abater os juros futuros ao ser quitado, o que o guia sobre pagar adiantado explica. E, se a dívida já está em atraso, a renegociação pode mudar a taxa antes de a ordem importar.
  • Reserva e imprevistos. O plano supõe o mesmo extra todo mês. Um mês sem ele atrasa tudo, e a reserva de emergência fica de fora.
  • Trocar de dívida. Levar uma dívida cara para um contrato de taxa menor pode valer mais do que qualquer ordem de pagamento; a página de portabilidade de crédito compara a proposta de outro banco com o contrato atual.

Como o Finasst monta o plano

Na página Plano de saída, digite o extra por mês e cada dívida, com saldo, taxa efetiva ao mês, tipo e pagamento, ou, se tem conta, traga as que já salvou em Minhas dívidas. O resultado aparece na hora, sem precisar de conta nem gastar simulações: os três jeitos lado a lado, em que mês você fica livre, os juros de cada um e a ordem em que as dívidas acabam. Nada do que você digita é enviado ou guardado. A página descreve o que as contas mostram, com as hipóteses que declara, e não recomenda uma estratégia.

Este guia é educativo e informativo. Não é consultoria financeira, jurídica nem de investimento e não conhece a sua situação. Os valores dos exemplos são ilustrativos, e as regras mudam: confira as vigentes antes de decidir. Aviso Legal