Carência no empréstimo: como funciona e quanto custa

Atualizado em 30 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

O que é a carência, a diferença entre pagar os juros e deixá-los acumular, um exemplo com números e o que conferir no contrato.

A carência é um período no início do empréstimo em que você não paga o principal. Ela pode aliviar um começo apertado, como um negócio que ainda não começou a faturar, um imóvel ainda em construção ou uma renda que chega depois, mas não deixa o empréstimo mais barato: os juros continuam correndo, e o total que você paga aumenta. Este guia explica o que muda e o que procurar no contrato.

O que é a carência

Durante a carência, as parcelas de principal esperam. O que acontece com os juros depende do contrato, e essa é a parte que mais importa. Terminada a carência, as parcelas regulares começam, e o que você paga é o valor original mais os juros que tenham sido somados a ele durante a espera.

Duas formas de tratar os juros

  • Pagar os juros durante a carência: a cada mês você paga só os juros daquele mês. O saldo não cresce, e a dívida no fim da carência é a mesma do começo.
  • Capitalizar os juros: você não paga nada durante a carência e os juros são somados ao saldo. O saldo cresce, e dali em diante os juros incidem sobre esse saldo maior, ou seja, juros sobre juros.

Um exemplo com números

Um empréstimo de R$ 20.000,00 a 1,8% ao mês no PRICE, com 24 parcelas e uma carência de 3 meses antes delas:

MedidaSem carênciaCarência, juros pagosCarência, juros capitalizados
Pago em cada mês da carência—R$ 360,00R$ 0,00
Parcelas depois da carência242424
Última parcelaR$ 1.033,50R$ 1.033,50R$ 1.090,52
Total de jurosR$ 4.806,76R$ 5.886,76R$ 6.170,64
Total pagoR$ 24.806,76R$ 25.886,76R$ 26.170,64

Pagar os juros custa R$ 1.080,00 a mais que não ter carência, que são exatamente os três pagamentos de R$ 360,00 (1,8% de R$ 20.000,00). Capitalizar custa R$ 1.363,88 a mais, ou seja, R$ 283,88 acima de pagar os juros: os juros sobre os juros que foram somados ao saldo. A taxa de custo efetivo é a mesma nos três casos, 23,87% ao ano, porque a taxa não mudou. O que cresce é o valor, porque você deve o dinheiro por mais tempo.

Quando a carência ajuda, e quando atrapalha

Ela ajuda quando o orçamento realmente está apertado agora e não estará depois: uma renda que não começou, um bem que ainda não produz. Ela atrapalha quando só adia um pagamento que o orçamento já poderia suportar, porque o custo é certo e o benefício depende de a situação melhorar. Capitalizar é a opção mais pesada, então, se você consegue pagar ao menos os juros, custa menos.

De quanta carência você precisa

Conte os meses até que a renda, ou o bem que vai pagar o empréstimo, comece a render, e peça isso e não mais. Cada mês a mais de carência tem um preço. Com os juros pagos, é o juro mensal (R$ 360,00 no exemplo acima). Com os juros capitalizados é mais, porque o saldo sobre o qual os juros incidem continua crescendo. Uma carência maior que a necessária é um custo sem benefício. Quando duas ofertas diferem na carência, compare-as pelo total pago e também pelo custo efetivo total: o custo efetivo mostra a taxa, e o total mostra por quanto tempo você a deve.

O que conferir no contrato

  • Se os juros da carência são pagos ou capitalizados.
  • Quanto dura a carência e se ela conta dentro do prazo ou vem antes dele.
  • Se as parcelas depois dela são recalculadas, e qual será a nova primeira parcela.
  • Se seguros, tarifas ou outros encargos são cobrados durante a carência.
  • Se você pode pagar mais que o mínimo, ou quitar antes, sem multa.

Nos Estados Unidos e na Europa

A carência tem outros nomes fora do Brasil, mas a escolha entre pagar os juros e capitalizá-los é a mesma. Nos Estados Unidos, os empréstimos estudantis federais têm seis meses de carência depois que o estudante deixa o curso, e nos empréstimos não subsidiados os juros correm durante esse período. Em hipotecas, um período em que só se pagam juros, o interest-only, impede que o contrato seja uma qualified mortgage, a categoria com mais proteções na lei. Na Espanha, a carência é comum em hipotecas e em linhas oficiais de crédito para empresas: na carência parcial você paga só os juros, e na total não paga nada e os juros se somam ao saldo. Em todos os casos, o efeito no custo é o que a tabela acima mostra.

Como simular

Na simulação, abra as opções avançadas, informe o número de meses de carência e escolha se os juros são capitalizados. O cronograma mostra cada mês da carência e a primeira parcela que vem depois, e o total de juros e o custo efetivo total se atualizam. Para ver como a base da taxa e os encargos mudam o resultado, leia sobre o custo efetivo total, as taxas nominal e efetiva e PRICE ou SAC.

Este guia é educativo e informativo. Não é consultoria financeira, jurídica nem de investimento e não conhece a sua situação. Os valores dos exemplos são ilustrativos, e as regras mudam: confira as vigentes antes de decidir. Aviso Legal