O que a taxa média do Banco Central é, e o que não é
O que as taxas que o Banco Central publica por instituição contêm, por que não são uma oferta e como comparar a sua taxa com elas sem se deixar enganar.
Antes de assinar um empréstimo, quase todo mundo quer saber se a taxa que recebeu é razoável. No Brasil, o Banco Central publica as taxas de juros que as instituições informam para cada tipo de crédito, e esses números são o mais próximo que existe de uma referência. Também são fáceis de ler errado: um número certo para o que mede passa a errado quando é usado para outra coisa. Este guia diz o que o número contém, o que ele não contém e como colocar a sua taxa ao lado dele sem se deixar enganar. Ele descreve a fonte como ela era entendida quando o guia foi atualizado pela última vez; a página do próprio Banco Central é a referência.
De onde vem o número
As instituições que emprestam informam suas operações ao Banco Central, e ele publica o resultado: para cada tipo de crédito, a taxa média que cada instituição cobrou em operações já contratadas. Para a maioria dos tipos de crédito a série é diária e cada número é uma média dos últimos cinco dias úteis; para o financiamento imobiliário há uma série mensal. O Banco Central publica o que recebe e não assume responsabilidade pelos dados que as instituições enviam.
O que há dentro do número
A taxa é o custo efetivo médio do cliente, o que significa que já inclui tributos e os encargos operacionais do contrato. Ela é ponderada pelo valor contratado: um empréstimo grande pesa mais que um pequeno na média daquela instituição. É uma taxa ao mês ou ao ano com juros compostos, do mesmo tipo que o custo efetivo total, o CET, mede. Isso tem uma consequência direta: o número a pôr ao lado dela é a taxa real do seu contrato, com tudo contado, e não a taxa anunciada na proposta. O guia sobre o custo efetivo total explica o que entra nele, e a página de comparação de taxa recebe uma taxa com os custos contados.
O que ela não é
- Não é uma oferta. É a média de operações que já aconteceram, num período passado. Ninguém é obrigado a lhe emprestar hoje a essa taxa.
- Não é teto nem piso. As instituições informam médias, e dentro de uma mesma instituição há contratos com taxas menores e maiores. Uma taxa acima da média não é irregular, e uma abaixo dela não é garantia de nada.
- Não é a taxa do sistema inteiro. A média do sistema pesaria cada instituição pelo valor que emprestou. O que a página de comparação chama de mediana é calculado pelo Finasst: o valor do meio entre as médias das próprias instituições, cada uma contada uma vez.
- Não é um veredito. Uma posição numa lista diz onde uma taxa fica, não se ela deveria ter sido menor.
Por que a sua taxa pode ser diferente
O próprio Banco Central observa que o custo varia entre clientes, mesmo os da mesma instituição, e os motivos têm mais a ver com risco e estrutura:
- O risco do cliente. Renda, histórico de crédito e relacionamento com a instituição mexem na taxa mais do que qualquer outra coisa.
- A garantia. Crédito garantido por um veículo ou um imóvel tende a custar menos que crédito sem garantia, então compare apenas dentro do mesmo tipo.
- O prazo e o valor. O mesmo tipo de crédito com outro prazo ou outro valor pode ter um custo diferente.
- O que está incluído. Um seguro obrigatório num contrato é opcional em outro, e isso muda o custo efetivo.
Comparando o que é comparável
Tome uma proposta de R$ 10.000,00 que anuncia 2,5% ao mês em 24 parcelas. O contrato cobra uma tarifa de R$ 150,00, financia o imposto sobre crédito e cobra R$ 30,00 de seguro por mês. A taxa anunciada é um número, e a taxa real é outro:
| Medida | Taxa |
|---|---|
| Anunciada na proposta | 2,50% ao mês |
| Real, com imposto, tarifa e seguro | 3,37% ao mês |
| A mesma taxa real em um ano | 48,93% ao ano |
O número a comparar com a média publicada é 3,37% ao mês, e não 2,5%: a média já traz os mesmos tipos de custo. Comparar a taxa anunciada faria o contrato parecer mais perto da média do que está. A conferência de contrato descobre a taxa real a partir do valor recebido e da parcela, e o guia sobre taxa nominal e efetiva explica por que mês e ano se convertem por capitalização e não por multiplicação. Os valores aqui são uma ilustração, não uma cotação.
Os Estados Unidos e a Espanha
Para esses dois países não há lista de instituições. O Federal Reserve publica uma média do que os bancos americanos informaram para empréstimos pessoais e de automóvel, como uma taxa percentual anual definida pelo Regulamento Z, que é nominal, uma vez por trimestre. O Banco Central Europeu publica a taxa média dos novos empréstimos a famílias na Espanha, que é a taxa anualizada acordada e deixa de fora tarifas, seguros e tributos. As duas não são construídas como o número brasileiro, então a página de comparação diz qual base vale em cada caso e não dá uma posição, só a média.
Como usar
Use o número publicado como ordem de grandeza, não como meta. Compare o mesmo tipo de crédito, a taxa real com os custos contados e a mesma base, mês com mês. Uma posição bem acima da mediana é uma pergunta a fazer ao credor, o que a explica, e não uma conclusão; uma posição abaixo dela não substitui conferir o prazo e as condições de pagamento antecipado. Nos dois casos o contrato e o extrato do credor são a referência, e a renegociação de uma dívida parte desses números.
Este guia é educativo e informativo. Não é consultoria financeira, jurídica nem de investimento e não conhece a sua situação. Os valores dos exemplos são ilustrativos, e as regras mudam: confira as vigentes antes de decidir. Aviso Legal